sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

SOZINHA (o grito da solidão feminina)

 Mais uma vez os filhos não vieram jantar

Quanto ao marido? Sabe-se lá Deus onde está 

Sim, casados de papel passado

Dormindo em quartos separados

Sozinha, irremediavelmente sozinha!

Ligo a televisão para me distrair

Cenas de violência e de sexo sem emoção

E a reprise do último capítulo da novela

Desligo a tevê, melhor ir ler

Mas sonolenta logo deixo o livro cair

Na madrugada esfria, luzes apagadas

Sozinha, irremediavelmente sozinha!

Desesperada começo a rolar na cama

Sei bem do que sinto falta

Das suas mãos carinhosas percorrendo meu corpo

Afagando meus cabelos, pegando-me pela cintura

Dos seus lábios roçando nos meus, orelha, nuca, peitos e nádegas

Do seu corpo amigo se aquecendo ao meu

Do seu olhar compreensivo e do beijo mais gostoso

Da sua voz emotiva dizendo que me ama

Sorrio ao pensar nesse amor que já nasceu maduro

E choro ao lembrar que está longe o encontrar

Começo a me tocar na tentativa de me satisfazer

Erotizando cada zona do seu corpo nu

suspirando e desejando o que não ouso dizer

 Todavia, não tenho êxito em me enganar

Sozinha, irremediavelmente sozinha em minha cama

O dia amanhece e preciso me levantar

A vida prossegue e tem gente esperando pelo  café

Sozinha, irremediavelmente sempre sozinha. 







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