Mais uma vez os filhos não vieram jantar
Quanto ao marido? Sabe-se lá Deus onde está
Sim, casados de papel passado
Dormindo em quartos separados
Sozinha, irremediavelmente sozinha!
Ligo a televisão para me distrair
Cenas de violência e de sexo sem emoção
E a reprise do último capítulo da novela
Desligo a tevê, melhor ir ler
Mas sonolenta logo deixo o livro cair
Na madrugada esfria, luzes apagadas
Sozinha, irremediavelmente sozinha!
Desesperada começo a rolar na cama
Sei bem do que sinto falta
Das suas mãos carinhosas percorrendo meu corpo
Afagando meus cabelos, pegando-me pela cintura
Dos seus lábios roçando nos meus, orelha, nuca, peitos e nádegas
Do seu corpo amigo se aquecendo ao meu
Do seu olhar compreensivo e do beijo mais gostoso
Da sua voz emotiva dizendo que me ama
Sorrio ao pensar nesse amor que já nasceu maduro
E choro ao lembrar que está longe o encontrar
Começo a me tocar na tentativa de me satisfazer
Erotizando cada zona do seu corpo nu
suspirando e desejando o que não ouso dizer
Todavia, não tenho êxito em me enganar
Sozinha, irremediavelmente sozinha em minha cama
O dia amanhece e preciso me levantar
A vida prossegue e tem gente esperando pelo café
Sozinha, irremediavelmente sempre sozinha.
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